6 de dezembro de 2010

Os Mercenários

Como já era de se esperar, a explosiva volta de Sylvester Stallone às telonas causou o impacto esperado depois do anuncio da produção de Os Mercenários, projeto que reuniria as maiores estrelas do gênero ação em uma única película, e cuja idéia fora impulsionada pela boa performance de Rambo 4 nos cinemas.

O Nerdrops tem o prazer de apresentar duas resenhas sob dois pontos de vista diferentes e… Ok! Nem tão diferentes assim, já que aparentemente a opinião de quem compareceu em alguma sessão de Os Mercenários parece ter surtido o mesmo efeito. Sendo assim, confiram as resenhas de Oliver Perez e a de Efraim Fernandes logo na sequência.

Resenha por Oliver Perez
Antes tarde do que nunca o ator, e como mais recentemente vem se mostrando, diretor e produtor, Sylvester Stallone percebeu que por muitas vezes as pessoas não esperam somente a evolução de um artista neste segmento. Por muitas vezes, o público não está apto a aceitar mudanças e mesmo apesar de Sly ser um dos melhores na área da dramaturgia entre a geração brucutu, suas investidas nesta área nunca foram vistas com bons olhos ou sequer angariaram a sua devida atenção, como no caso de Copland de 1997, onde o ator ganhou peso para encarnar um policial marcado pelas agruras da vida sem mencionar que estrelou o longa ao lado de Robert De Niro, mas enfim, um filme com uma carga dramática muito grande para o público que estava interessado em outra faceta de Sly. A mesma de quando despontou em Hollywood.
Após quase uma década em fraquíssimas produções ou de pouco destaque, Sly decidiu reviver um dos personagens mais marcantes de sua carreira, o boxeador Rocky Balboa, que ressurgiu nas telonas em um filme emocionante com ótimos personagens, atores, direção (pelo próprio Sly) e a química entre todos estes citados. O sexto longa da franquia pôs um fim na imagem derrotada da mesma em seu, até então, último e fraco quinto filme da série de 16 anos atrás.
Statham, Sly, Couture
Mas enfim, apesar de números notórios, mesmo não sendo tão grandes, tal projeto mostrou a Stallone que o caminho sempre fora esse e mais outro duvidoso projeto teve seu início. Mais uma vez um dos ícones dos anos 80 estaria pisando em solo marcado pela nova geração de espectadores dos filmes de ação e John Rambo, o eterno veterano traumatizado pela guerra do vietnã, estaria voltando após quase duas décadas de ausência nas telonas. Dúvidas surgiram, assim como seu projeto passado, mas Sly mostrou desta vez o real sentido da ação e da violência em algo talvez nunca antes visto. Um filme objetivo, curto e um personagem que não muito mudou depois de seu longo período longe dos olhos do público e da mídia. Desde então, Stallone voltou de vez para o cenário em Hollywood e um pouco depois de Rambo 4 mostrar seu bom desempenho nas bilheterias, fora então anunciado um novo e possivelmente mais ambicioso projeto do ator.
Rourke como o tatuador filósofo Tool
The Expendables, ou simplesmente Os Mercenários, como ficaríamos sabendo mais tarde por aqui, planejava a maior reunião de brutamontes nunca antes vista, e que após de muitos rumores sobre seu elenco foram confirmados as presenças de (Além de Sly, é claro) Jason Statham (talvez o melhor a representar os filmes de ação da nova geração), Jet Li (A lenda das artes marciais em grandes filmes estrangeiros e de Hollywood do gênero), Mickey Rourke, Terry Crews, Gary Daniels (mais conhecido por inúmeros filmes B de kickboxer que inundou a TV nos anos 90), os lutadores Randy Couture e Steve “Cold” Austin e ainda contribuindo para o frenesi de todos, a reunião de Sly com Dolph Lundgren, cujo último encontro se deu em 1985 em Rocky IV, onde atuaram como oponentes (Rocky Balboa vs. o russo Ivan Drago).
Desde o anúncio do elenco oficial do longa, a antiga e a recentemente conquistada nova geração de fãs deste gênero aguardavam com a mais frustrante ansiedade, a chegada de Os Mercenários, e para quem já pode conferir, a espera valeu a pena. Stallone e cia voltaram e desta vez foi para ficar. Um dos grandes desperdícios ocorridos por esta aventura tardar, foi talvez da oportunidade de outro dos gigantes da área participarem de maneira plena de uma empreitada destas. Mas ainda assim, Arnold Schwarzenegger fez uma pequena ponta ao lado de Bruce Willis e entre piadas de ganho de peso, referência a franquias passadas e da antiga “rivalidade” entre ambos , se dá o real início da aventura em questão.
Encontro do século
Na trama, Barney Ross (Stallone) lidera um esquadrão de mercenários em missões por vários cantos do mundo até receber uma generosa oferta do personagem apenas denominado como Sr. Igreja (Bruce Willis como um suposto graúdo governamental procurando quem faça o trabalho sujo) para invadir um país da América do Sul conhecido como Ilha de Vilena e livrar seus habitantes do poder de um militar aspirante a ditador que sofre pesada influência de um grupo de americanos interessados na produção de narcóticos do local. Obviamente o maior objetivo do contratante por de baixo dos panos é de inibir ex-agentes americanos renegados envolvidos por trás do governo opressor.
A partir deste ponto, a ação é desenfreada e todas as imagens são coordenadas de maneiras hipnóticas. Ross conta com sua força bruta, a agilidade e rapidez das artes marciais de Lee Christimas(Statham) e Ying Yang (Li), a expertise em armas de fogo com Hale Caesar (Crews), a loucura de Gunner (Lundgren) e a sensatez de Tools, talvez o personagem que exigiu mais das habilidades dramáticas de um dos membros do elenco, Mickey Rourke, que apesar de não participar da ação, foi a ancora emocional do filme e o guia , digamos que “idealista” do grupo. Destaque para o trio Crews, Statham e Li. Ótima química, humor e tiradas a mil.
Lundgren personificando o insano Gunner
Eric Roberts está mais uma vez na pele de um vilão classudo , denominado Munroe, um renegado da CIA que ao lado de sua montanha de músculos pessoal Payne (Steve “Cold” Austin), conspiram ao lado de General Garza(David Zayas, O tenente Batista da série Dexter) e seu exército que somente tem como oposição, a geniosa Sandra, garota local interpretada pela bela brasileira Gisele Itié, que conta exclusivamente com o grupo de Ross para a derrubada do ditador e seus perigosos aliados.
Não se tem muito mais a declarar do que músculos, aço e pólvora. O filme de ação que chegou mais perto da perfeição com seus tiroteios, lutas, perseguições sem ter que lidar com doses massivas de CGI, cabos e Slow Motion. Cada diálogo, uma contagem regressiva para explosões e pancadaria. Saindo um pouco do crédito do elenco nesta parte, mérito total para a direção de Sylvester Stallone que conseguiu unir características de diretores como Greengrass, Mctiernan, John Woo e Michael Bay . Talvez um dos poucos diretores que te faça sentir um real impacto vindo de seus punhos ou os de Steve “Cold” Austin em um dos mais ferozes embates homem a homem em meio ao caos total.
Uma vitoriosa produção onde o bom e velho roteiro raso em nenhum momento compromete este que podemos chamar, de um novo clássico oitentista, mas que se deu em pleno ano de 2010. Todo longa que simplesmente cumpre no que se propõe merece seu devido reconhecimento. Os Mercenários é de fato entretenimento. O Objetivo foi alcançado. Um dia, a idade poderá afastar Sly de seus personagens e nomes excêntricos. Mas como diretor, com certeza o gênero só ganhou antes, agora e depois com sua chegada!
 
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