6 de outubro de 2010

O POPULISMO NA AMÉRICA LATINA.

1 INTRODUÇÃO:


A presente pesquisa retrata um dos temas mais discutidos e importantes para a compreensão da História política e social da América Latina. Um contexto digno do apreço por parte de futuros professores, historiadores, sociólogos. Enfim, a todos aqueles que se interessam na aquisição do conhecimento voltado para a verdadeira identidade do Estado e de seus líderes, assim como assimilar a participação dos liderados e dos meios utilizados para disciplinar a relação de quem detém o poder e seus súditos.
Neste trabalho o tema abordado é o “Populismo”, apresentando suas características e aplicabilidade em determinados períodos, localidades, e situação vigente na qual este se manifestou, sendo que sua face nem sempre foi assumida por quem o empunhava, ou seja, deixando o sentido figurativo e aderindo o literal da explanação, entende-se que alguns líderes possuíram ou possuem características de um governo populista, porém não os conceituam desta forma, consentindo apenas serem denominados como um movimento de esquerda.
Adentrando ao assunto, a dissertação permite ao leitor refletir e formular sua própria crítica, sendo que o autor que esta subscreve reserva-se ao direito de expor a doutrina e registrar os pontos fundamentais no desenvolvimento, para que assim a cognição auferida seja fiel as obras que se dedicam a esta temática.
O populismo é um termo que marcou gerações e se estenderá e ampliará ainda mais. A América Latina está cheia de seus resquícios, e o movimento populista é até hoje arma utilizada para que novos líderes se lancem ao mercado político. Uma forma de cativar, de adquirir simpatizantes, principalmente das camadas sociais de baixa renda, da massa popular. Classe citada que facilmente é persuadida pelos meios de comunicação, aliados essenciais para a implantação de um sistema nacionalista.
Porém, salienta-se que o nacionalismo não é uma regra para a aderência do Populismo, pois casos já constatados na História revelam que o governante volta atrás de seus discursos e promessas e se rendem ao imperialismo de grandes potências, e mesmo diante desta conturbada relação conseguem manter características necessárias para que um Líder opere um regime Populista.

O POPULISMO NA AMÉRICA LATINA

A reorganização política após a Segunda Guerra mundial resultou na América Latina em grupos simpatizantes do socialismo, em partidos com programas políticos direcionados a atender as classes populares menos favorecidas, e diante do grande número de pessoas de baixa renda formas de governos foram surgindo visando o clamor social, a contagiar grandes multidões e fazer com que suas regras fossem cumpridas, desde então termos como militarismo e Populismo ganharam força na historiografia e constantemente a forma popular de governar reflete no cotidiano dos países latino-americanos.
O Populismo é um tipo de governo que garante os interesses da elite econômica, enquanto expõem em público uma face que parece atender às necessidades populares. (PETTA, Nicolina Luiza de, 2005.)
Entre os governos populistas temos aqueles que apresentam características mais específicas, sendo mais fáceis de assim denominá-los, pois o discernimento é divergente, uns os assumem como assim sendo seu governo, outros não. Interessante para esta assimilação é os traços elencados pelo historiador mexicano Enrique Krauze, em seu artigo “Os dez mandamentos do Populismo”. Sendo eles:

1º O Populismo exalta o líder carismático; 2º O populista não só usa e abusa da palavra: ele se apropria dela; 3º O Populismo fabrica a verdade; 4º O populista usa de modo discricionário os recursos públicos; 5º O populista divide diretamente a riqueza; 6º O populista alimenta o ódio de classes; 7º O populista mobiliza permanentemente os grupos sociais; 8º O populismo fustiga sistematicamente o inimigo externo; 9º O populismo despreza a ordem legal; 10º O populismo mina, domina e, em último recurso, domestica ou cancela as instituições da democracia liberal. (KRAUZE, Enrique, 2008)

Diante dos traços apresentados por Krauze, e da complexidade em apontar friamente um país como regime propriamente Populista, é que neste momento a análise se pautará sobre aqueles casos mais visíveis e específicos na História da América Latina.
Os discursos Populistas ganharam espaço no início do século XX. As doutrinas divergem sobre quem teria iniciado este levante e qual seria a data
Pois bem, sem adentrar a uma ordem cronológica, temos que em 1915 a 1962, no México, Lázaro Cárdenas iniciou um processo de Reforma Agrária, conquistou apoio do campesinato rural e na área urbana não foi repressor. Partidos políticos contrários articularam-se em torno do governo. Cárdenas demonstrava o carisma perante os meios de comunicação e ganhava seu espaço como um líder revolucionário. Uma gestão populista inicia-se em 1934, com características próprias, mas sem se esquecer das artimanhas que o mantinham um ídolo perante a massa popular. (GUIMARÃES, Simone Oliveira, 2010).
Feito no parágrafo acima um indicativo de um Populista que conquistou e marcou um período, apresentando características de governo únicas: A neutralidade perante as classes, não repressão, aliança política etc. Neste momento discorrer-se-á sobre uma participação significativa na vida política latino-americana: “Juan Domingo Perón, que entre 1946 a 1955 governou a Argentina e posteriormente um segundo mandato em 1973 a 1974.
Perón apoderou-se do populismo como ninguém naquele período, ao ponto de pesquisadores da história política estender a terminologia para assim enfatizar ainda mais seu governo chamando-o de Peronismo, trocadilho que até hoje é utilizado. Juan Domingo Perón, um admirador do fascismo, oficial do exército, eleito em 1946 com apoio dos trabalhistas e do exército, suas principais propostas era a utilização dos recursos nacionais, a expansão do setor industrial e a organização do Estado, principalmente da classe trabalhadora urbana.
O governo na Argentina durante gestão de Perón torna-se ditatorial, a corrupção, repressão e censuras eram camufladas por sua esposa, Eva Perón, a mãe do povo pobre, dos descamisados, “Evita” assim aclamada. Sua evidência, e facilidade em encarnar as práticas populistas, chamando a atenção para si, deixando Juan Perón em segundo plano davam a este o respaldo para agir construindo a imagem pública que lhe convinha. Após morte de Evita em 1952, Perón perde uma grande aliada e em 1955 é deposto pelas forças armadas. Em 1973 adentrou o governo novamente, porém sem recuperar o prestígio, morreu em 1974. (PETTA, Nicolina Luiza de, 2005.)
Salienta-se a importância no cenário político de cunho Populista a participação de Getúlio Vargas, no Brasil, com uma forma de governo mais similar a Juan Perón, conquistou a massa popular. Em meados do século XX suas propostas e realizações direcionadas as necessidades dos trabalhadores, casos como o da intervenção nos sindicatos, a criação da legislação trabalhista, carteira de trabalho, o nacional-desenvolvimentismo, industrialização, ou seja, vários outros projetos que o colocaria em um patamar de governo reconhecido mundialmente devida a atenção dada à classe trabalhadora. Simone Oliveira Guimarães explica:
Pois ao controlar e administrar as demandas dos trabalhadores o governo passa a ter um poder de barganha junto a essas massas urbanas e de certa parte minar a influência de outros grupos, tais como os anarquistas e socialistas, que geralmente estavam presentes no meio dos movimentos urbanos trabalhistas. (GUIMARÃES, Simone, 2010).
Vargas, porém também era um ditador, limitava os poderes, disciplinava a rédeas curta os contrários ao seu governo, uma onda de repressão e censura eram armas para que seu governo se mantivesse de pé. Hoje Getúlio é no Brasil um título divisor de ideologias: “Ou o amam, ou o odeiam”.
Deixando o passado de lado e analisando os governos atuais, o Populismo na América Latina propaga-se por correntes que escrevem a História com ainda mais fervor do que o período Peronista. Dois líderes, não semelhantes em suas gestões, mas ambos conhecedores das técnicas populistas: Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva enquadram-se como presidentes populares, que tiveram suas campanhas políticas pautadas nas propostas de melhorias no setor industrial, e ampliação dos direitos dos trabalhadores.
Hugo Chávez, na Venezuela é a definição mais coerente do que podemos chamar de populismo atual, mas este ramificado pelo velho peronismo, usando a força da palavra e das armas, censurando e esmagando àqueles que o repugnam. Em seus discursos declara-se fã incondicional de Fidel Castro e do socialismo, nos meios televisivos dispara em tom de ameaça: “Ou é Socialismo, ou a morte”. (VEJA Online, 2010).
O governo de Lula, no Brasil, iniciou-se com características essenciais do Populismo, da esquerda, lutando pelo direito dos trabalhadores, e criando planos de assistência aos mais necessitados, que, aliás, são muitos. Desta forma criou carisma, ficou conhecido mundialmente e seu nome é pleonasmo de sistema populista moderno, pois abriu mão do “não” as grandes potências e a elas se rendeu no setor da industrialização e políticas externas. Assim ampliando os horizontes e não sendo rechaçado pelos partidos capitalistas. A criação de alianças com os imperialistas pelo contrário fizeram com que sua popularidade ganhasse em carisma pelo mundo todo. É certo que a corrupção nem este Líder combateu ou se deu conta, pelo contrário, tudo negou e disse nada conhecer, verdade ou não, sabe-se que Lula é uma referência de como se fazer política nos dias de hoje.
Os mecanismos utilizados pelos governantes na manipulação das massas populares são o uso dos discursos voltados às ideologias de distribuição de rendas, de estabelecer a igualdade, de usarem os meios de comunicação para persuadir. E àqueles que se rebelam contra o sistema proposto são censurados, caçados e corrompidos. A corrupção é comum, porém o Populista logo consegue desviar a atenção do povo para outros setores do Estado, seja através da política do pão e circo, da teledramaturgia, de uma nova proposta de renda, etc. (MUNDO FOX, 2010)
A relação existente entre o Populismo e o Coronelismo está vinculada a fatores sociais, econômicos e culturais no Brasil (Corrupção e Repressão). O coronelismo por vez é a base histórica desde movimento assistencialista, onde os detentores do poder político eram os grandes proprietários rurais (os coronéis). Os trabalhadores das fazendas viam no coronel a figura representativa e protecionista, enquanto o coronel ostentava suas riquezas, aos súditos cabiam se contentar com planos assistenciais para saúde, moradia e alimentação. Os descontentes eram reprimidos com violência, para que assim o patriarca estampasse seu poderio perante os mais fracos e estes o respeitasse como poder supremo e único garantidor de seus possíveis direitos. (ANDRIOLLI, Antônio Inácio, 2006)


CONCLUSÃO

As correntes doutrinárias que investigam e estudam as formas de governo passado proporcionam fontes ricas na compreensão do momento político dos países da América Latina.
O populismo visível no século XX ganha força neste momento. Reformulações na terminologia são discutíveis, existem os conservadores, casos como o de Hugo Chávez, da Venezuela; Rafael Correa, do Equador, que simpatizantes aos movimentos vividos em Cuba tentam implantar em seus respectivos país um molde comunista, hoje por eles defendido como sistema socialista, regendo-os por meios das técnicas populistas. Outros governantes aderem ao populismo, mas o modernizam, cativam a sociedade através de novos programas de governo e abrindo mão de um nacionalismo tão fechado, casos como o do governo Lula, no Brasil.
Entender os meios, os mandamentos populistas, é básico na vida de um cidadão contemporâneo e de olhares voltados para ciência política de seu país. A roupagem dada pelos líderes da América Latina camufla interesses pessoais, e abre espaço para que capitalistas de 1º mundo tentem apoderar-se das riquezas naturais e próprias de cada território alegando que neles se propagam interesses contrários a ordem mundial. Um conflito de interesses que levam a tona nos meios de comunicação um protótipo do caos.
O Coronelismo e clientelismo juntamente manifestados em séculos atrás embasaram e articularam o desenvolvimento Brasileiro, que em um processo evolutivo, após passagem por regimes de ditadura, militarismo, alavancou um Populismo interessante para a política vigente.
O trabalho é uma síntese de governos e períodos, sendo que a este cabe esclarecer conceitos e adequá-los a um contexto histórico de construção dos valores Populistas.

REFERÊNCIAS

KRAUZE, Enrique. OS DEZ MANDAMENTOS DO POPULISMO – TELEIÓS. Disponível em: http://www.teleios.com.br/2010/os-dez-mandamentos-do-populismo-enrique-krauze/. Acesso em: 23 de setembro de 2010.

GUIMARÃES, Simone Oliveira. “POPULISMO”, Disponível em http://www.coladaweb.com/politica/populismo. Acesso em: 23 de setembro de 2010.

PETTA, Nicolina Luiza de, HISTÓRIA – Uma Abordagem Integrada, volume Único / Nicolina Luiza de Petta, Eduardo Aparicio Baez Ojeda, Luciano Delfini, - 1º Ed. – São Paulo: Moderna, 2005.

VEJA Online. “POPULISMO NA AMÉRICA” – Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/populismo_america/index.html. Acesso em: 23 de setembro de 2010

MUNDO FOX, DESVENDANDO A AMÉRICA LATINA. – Documentário - Disponível em http://www.mundofox.com.br/br/videos/desvendando-a-america-latina. Acesso em: 23 de setembro de 2010.

ANDRIOLLI, Antônio Inácio. “CAUSAS ESTRUTURAIS DA CORRUPÇÃO NO BRASIL” Revista Espaço Acadêmico, nº 64 – Setembro de 2006 – Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/064/64andrioli.htm. Acesso em 23 de setembro de 2010.

2 comentários:

Mariana disse...

Desculpe a demora para vir retribuir a visita ,estive ausente mesmo por aqui.
Sou a tua seguidora 43, o nº daa Marina e do meu cand.ao gov e 1 dos senadores.
Pena q não fui a 44, a minha idade.
Esta tua postagem é mt interessante e o populismo na América Latina tem muito assunto ou seja ,mt pano pra manga.
e como tem.
Valeu a leitura /
Abraços

Anônimo disse...

Então interessante este site está bem desenvolvido.........boa:)
Muito Bonito Continua assim !

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