28 de setembro de 2010

Robin Hood

Impressionante o interesse que ainda se tem por Robin Hood. O personagem já foi tão adaptado para o cinema que fica até difícil fazer uma listagem. Entre os mais conhecidos e elogiados estão AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD, de Michael Curtiz, de 1938, e ROBIN E MARIAN, de Richard Lester, de 1976. E os que mais a plateia de hoje lembra são os produzidos em 1991, num embate entre a Warner e a Fox: ROBIN HOOD – O PRÍNCIPE DOS LADRÕES, com Kevin Costner e aquela grudenta canção do Bryan Adams, e o concorrente ROBIN HOOD – O HERÓI DOS LADRÕES. Desta vez, o fora-da-lei que tira dos ricos para dar para os pobres está de volta, mas numa versão bem diferente, numa tentativa de dar um viés mais histórico para o personagem, apresentando o momento anterior a quando Robin Longstride se tornou uma lenda. Se é que ele existiu de verdade.
No ROBIN HOOD (2010) de Ridley Scott, vemos os acontecimentos anteriores às famosas ações do personagem contra o governo cruel do Rei João. Robin começa como soldado do Rei Ricardo Coração de Leão, tendo participado das cruzadas e sendo responsável até mesmo por entregar a coroa do Rei Ricardo a seu irmão, o sucessor Rei João. Que é pintado como uma figura asquerosa e perversa por Oscar Isaac. Russell Crowe, em sua quinta parceria com Scott, faz praticamente uma reprise de GLADIADOR (2000), inclusive com o mesmo corte de cabelo. O ator até tentou deixar as madeixas crescerem por um tempo, mas a produção do filme demorou tanto para começar que ele resolveu cortar curto mesmo. Houve também mudanças nos figurinos, em comparação com os outros filmes de Robin Hood.
Ridley Scott deu preferência por uma trama cheia de intrigas políticas, envolvendo os reinos da França e da Inglaterra. Houve também uma preferência por uma narrativa mais tradicional, até lembrando os épicos produzidos em Hollywood e na Itália nos anos 1960. Se por um lado isso deixa a câmera de Scott menos inquieta, o velho problema dos cortes que nos deixam desorientados e que eu atribuo como falha do diretor aparece nas poucas cenas de batalhas. Na principal delas, perto do final do filme, numa praia no País de Gales, mal dá para entender o que está acontecendo. Perde-se a noção de perspectiva.
Isso me fez lembrar das excelentes cenas de batalha de CORAÇÃO VALENTE, de Mel Gibson, e de como o “Mad Mel” faria as batalhas não apenas mais sangrentas, mas também filmadas de modo a deixar o espectador senão inserido na ação, mas pelo menos a par do que está havendo. Por isso que ainda acredito que Scott se sai muito melhor em dramas mais intimistas. A cena do lançamento das flechas me fez lembrar de HENRIQUE V, de Keneth Branagh, que capricha muito mais. Por falar nisso, interessante como os reis ingleses, pelo menos alguns, parece que tinham esse hábito de entrar junto com os soldados no combate, em vez de ficarem no conforto do palácio.
Scott quase consegue fazer da relação entre Robin e Marion (Cate Blanchett) interessante do ponto de vista romântico. A dupla de astros pelo menos fez a sua parte. Blanchett, aliás, é um caso especial entre as atrizes contemporâneas. Ela praticamente não erra. No elenco, vemos também Max Von Sydow como o velho pai de Marion, e William Hurt, em papel discreto, quase invisível. Uma pena que tanta produção e um elenco tão bom tenha resultado num filme modorrento, um convite ao sono.

RESENHA DE Ailton Monteiro
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