18 de abril de 2012

O que os Povos Indígenas podem comemorar?

 Hoje, 19 de Abril, dia do índio. Uma data comemorativa criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, que escolheu este dia baseado no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano realizado no México em 1940. Na ocasião os índios temerosos e desconfiados com tal evento resolveram não comparecer nos primeiros dias. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.
No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, após entenderem a importância daquele momento histórico.
E atualmente, diante do pouco conhecimento que tenho sobre o tema, e embasado somente em noticiários confesso que acreditava que tal data seria lembrada pelos indígenas para protestar, realizar manifestações etc. E nas lembranças do tempo de escola, no Ensino Fundamental, o professor fazendo um breve discurso e na sequência pedindo para que confeccionássemos uns cocares e as pinturas no rosto e fazíamos uma roda e dançávamos pedindo chuva... No Ensino médio fazíamos uns cartazes e os espalhávamos pelos corredores do colégio... E na graduação de História, as leituras de obras que em grande parte descreviam a cultura e principamente a dizimação dos povos indígenas...
E no dia de hoje, pesquisando um texto para fazer uma breve reflexão encontrei um que me chamou a atenção, postado no site índio Educa, de autoria de Sabrynna Taurepang que discorre:

“...Nós povos indígenas, independente da etnia ou local onde residimos, temos muito a comemorar!
Nesses tantos anos onde se comemorava a falsa descoberta, deu inicio a verdadeira comemoração, a retomada das terras invadidas, que já nos pertenciam muito antes de o Brasil ser chamado de Brasil. Terras que pertenceram a nossos antepassados, do qual lutaremos com sangue se preciso for para que sejam nossas legalmente, com reconhecimento da justiça humana, e que vamos deixar para nossos filhos e filhas, futuros Caciques, Tuxauas, Guerreiros, Pajés… Futura nação que continuará nessa mesma luta por nossos direitos, por reconhecimento de nossos rituais e tradições, entoados por Paricharas, Torés, Búzios, e outros cantos de luta e alegria, trazendo assim a força de Deus Tupã e Makunaimî, quando eu ou parentes da mesma idade já não puder mais fazê-lo, não por falta de vontade, mas por falta de força nos braços, nas pernas ou na voz.
Estamos comemorando a liberdade que nos está sendo devolvida, de poder, pescar, caçar, na nossa terra, de poder colher o fruto do que nos pertence do que nós plantamos, da força de alimentar nossos povos com o que a natureza nos oferta e dançar a alegria de sermos povos indígenas, de podermos ingressar e sair de uma Universidade, combatendo com palavras difíceis dantes não compreendidas, mas que hoje está a nosso favor.
Somos nós os Povos criados para preservação da grande aldeia (oca, casa, comunidade) chamada Natureza que hoje em dia, o homem branco, com sua chamada globalização encapada de DESENVOLVIMENTO, está destruindo.
Estamos comemorando a vitalidade dos nossos jovens que não se deixam afligir, que não demonstram medo ao dizer que fazem parte desta grande nação, nação que luta contra a discriminação, que luta por dias melhores sem guerra, sem lutas, sem tiroteios, sem expulsão de seu lar, sem tristeza, sem choro, sem mágoas…
Está sendo comemorado o amanhecer que nos é concedido, a força para lutar seja dia ou noite, seja cedo ou tarde, qualquer hora qualquer momento… E a força de orarmos por parentes que neste momento estão travando lutas por terras e espirituais, para que consigam obter a vitória…
Estamos comemorando a Força dos Povos Indígenas, na alegria de sermos chamados de Nação Makuxi, Taurepang, Terena, Tupinambá, Guarani- Kaiowá, Kraô- Kanela, Pankararu, Kaiapó, Pataxó- Hãhãhãe e muitos outros parentes que estão vivos em nossas orações e presentes em nossos corações.
Viva os Povos Indígenas! Viva a nação que não morre e nem se entrega!”



Após ler e reler o texto e demais conteúdos do portal fiquei com uma dúvida danada, Afinal, a autora do texto, Sabrynna Taurepang  estaria sendo irônica ou não? E você, amigo leitor, o que acha?



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